quinta-feira, 23 de abril de 2009

O menino tem u zói di fogo, cabelo di fogo, inté parece um curupira dos muitos modernos que se vêem por aí, por estas bandas da cidade grande. Sempre fugindo das sirenes vermeias, com seus pés ao contrário, carçados naqueles tênis nike roubados. Coitado.
E ele brinca com o revorvi metálico calibre 22, ele brinca e sorri e diz que vai matá. Eu pergunto quem ce vai mata menino? E ele respondi entre us denti, o disgraçado que mato meu irmão, eu vô matá!
E faz com us dedo, sinal de fuga, e diz em voz arta, pôu, pôu, pôu! E ri, e ri com seu brinquedo na mão.
O curupira da floresta de cimento, que corre ao contrário, carçando nike roubado, na cidade ribeirinha, à marge, sempre à marge, não protege, nem se esconde. Corage de hôme.

O reverso do verso elevado ao quadrado do inverso é igual à natureza do subversivo universo.
Das naturezas essenciais das ciências elementais que lançam suas infinitas indagações aos mais longínquos paralelos dos multi-versos ancestrais.
O amor, sublime sentimento, puro e belo encantamento, perfeito como a cadeia diamantina das mais altas montanhas cristalinas.
O eu, o sou, o ser, o serei e o fui!
Sou eu, sou seu, sou meu, sou nosso.
Ou serei seu, ou meu, ou nosso?
O sempre fui, o sempre serei, o sempre ser.

sexta-feira, 17 de abril de 2009


Tortuosos são os caminhos do homem pela terra, desafios e obstáculos estarão sempre a sua frente.
Fraco é o homem que nega esse caminho.
Forte é o homem que mesmo com lágrimas nos olhos e cálos nas mãos e pés enfrenta com coragem seu destino.
O homem não deve temer o seu fim, pois o fim é certo e libertador.
Mas o caminho é incerto e sempre haverá dois caminhos.
O coração indicará um, a razão outro.
Qual caminho seguir?

segunda-feira, 13 de abril de 2009


Escrevi para nós

Para Michele, meu amor

Lá estava eu, quieto no meu canto, jogando pedrinhas frias no lago parado. Vendo as ondas que se formavam ao meu redor.
Dormindo e acordando no espaço tempo da vida, nuvens passando, flores crescendo, fazendo a barba e cortando as unhas. Não contava os dias e nem prestava conta das noites.
Um gavião cortou o céu, lá no auto, desenhou imagens em minha mente, como pincel num quadro branco. O sol se pondo no horizonte, a lua nascendo logo atrás de min.
Eu andava por aí, e via as pessoas, e falava com as pessoas, e me divertia com as pessoas, e sempre jogava as pedrinhas frias no lago parado.
E essa menina, sempre à via por aí, e sempre parava para ver um pouco mais essa menina. Tão simples e linda, olhinhos vivos, cabelos de fogo, sorriso encantador.
Essa menina mexia comigo, gostava de olhar para ela.
Estava ela lá, quieta no seu canto, um brilho rosa ao seu redor, jogando estrelinhas para o alto, e com um doce nos lábios. Brincava e mexia comigo, nem me via, mas sabia que eu estava lá, ela sabia.
O som do mundo abaixou igual na televisão, e eu pude ver as estrelas no céu brilharem mais coloridas, o tempo parou, um passarinho pousou no meu ombro e cantou uma canção só para eu escutar, doce como essa menina. No mesmo instante um cometa mudou de rota e veio estacionar ao meu lado, e me vi abandonando as pedrinhas na margem do lago e indo falar com essa menina. Peguei na sua mão e a convidei para dar uma volta na calda do cometa, ela aceitou sorrindo, montamos no cometa, ela me abraçou forte e eu senti seu coração batendo junto ao meu, senti seu perfume e senti o calor do seu corpo aquecer o meu, e voamos coladinhos pelo universo.
Passeamos pelas galáxias, lhe mostrei algumas estrelas que eu gostava, ela me mostrou outras dela. O cometa corre mais que o tempo e nos levou até os limites do universo onde não há limites para nada, e vimos o quanto éramos maior do que imaginávamos, e vimos o quanto éramos belos e puros.
Estávamos lá, quietos no nosso canto, como viemos ao mundo, jogando pedrinhas quentes no lago do sono.
Meus braços em volta do seu corpo, seus cabelos no meu rosto, sua respiração no meu pescoço, meus dedos encaracolando seus cabelos.
Feixes mornos de luz entrando pela janela, cama desarrumada, roupas pelo chão do quarto.
Uma borboleta bateu asas na China, uma folha caiu nas águas do Rio Amazonas, uma estrela se apagou, outra se acendeu, um velho morreu sorrindo, uma criança nasceu chorando.