Minha perna coça, sinto um impulso de coçá-la, é uma coceirinha gostosa na
base da panturrilha esquerda, logo acima do calcanhar.
Mas coço o meu queixo, onde existe uma barba por fazer.
Escrevo para matar o tempo, antes que o tempo me mate.
Mas antes que o tempo me mate, vou falar do vento.
Acho que quando morrer, vou me juntar ao vento em suas viagens,
Somo amigos íntimos, irmãos de essência.
Não quero correr atrás do vento, prefiro ir de encontro a ele, pois ele sempre faz a curva.
Sempre quis saber onde o vento faz a curva, seria lá pras quelas bandas de Tupaciguara?
Não, acho que Tupaciguara é o lugar onde o Judas perdeu as botas.
Lanço-me ao vento de uma vez, pairo no ar feito folha de outono, vou deslizando até o chão.
Lanço-me novamente, mas o vento passou e me arrebento no concreto quente,
onde os carros cospem fumaça preta e fedida nas ruas da cidade antiga.
São sete os ventos, ou pelo menos foi os que contei,
passam a cada 37 segundos do ponto onde parei.
terça-feira, 3 de março de 2009
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Que bonito meu amor: super poético.
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