Acordei cedo naquele dia, apesar der ter dormido às cinco da madrugada. Queria caminhar, fui empurrado do sofá onde dormia por este impulso, sentia um aperto no peito e precisava de ar.
Caminhei até uma praça próxima, sentei-me. Mas sentia que não era o bastante. Caminhei por velhos lugares, os primeiros que freqüentei em minha vida, e fui parar em uma outra praça um pouco mais distante. Lugar antigo, berço da cidade onde nasci.
Fiquei sentado lá por um tempo, e senti que precisava caminhar um pouco mais. Então segui para o norte, rumo ao cemitério. Eu gosto daquele cemitério, é um lugar bastante tranqüilo.
Parei e sentei em um banco que fica ao lado da entrada deste cemitério. Foi quando vi um homem sair andando de costas do portão do cemitério, ele se abaixou e fez alguns sinais bem interessantes, apenas fiquei observando atentamente. Ele se levantou e caminhou rumo a uma velha cruz de madeira que fica do outro lado da rua em frente ao cemitério, fez o mesmo ritual, e depois seguiu rua abaixo tranquilamente. Ele nem sequer notou a minha presença.
Senti-me bem por ter presenciado todo aquele ritual de fé, um verdadeiro homem de fé.
Depois fiquei pensando se ele não seria um fantasma e se fantasmas realmente existem.
Levantei e fui até o portão do cemitério, um portão de metal, velho e enferrujado, mas muito bonito. Olhei para dentro e vi que estava completamente vazio, entrei sem pedir licença.
Logo na entrada tive uma sensação de solidão muito grande, olhei para a direita e vi uma estátua de Jesus Cristo em tamanho natural muito interessante. O Cristo parecia um ator de teatro encenando uma peça romântica, não havia dor em sua face. Fiquei parado observando a estátua, que parecia querer dizer alguma coisa.
Decidi fotografá-la, mas neste exato momento, meu celular tocou, eu sabia quem era. Mesmo sem reconhecer os números eu sabia que era ela me ligando de além-mar. Atendi. Nervoso e emocionado, era ela. Conversamos, a ligação caiu, ela retornou, me contou que a viagem tinha sido tranqüila e que as coisas estavam dando certo. Dizemos que nos amava-mos e nos despedimos. Fiquei muito feliz por ela, mas muito triste por min.
Quando olhei em volta, estava sentado em cima de um túmulo de criança, no meio de várias cruzes com nomes de criança escritos nelas.
O vento soprou estranho, como um uivo solitário, como um choro de criança. Uma cratera se abriu em minha volta, estava eu num deserto seco e morto, não havia ninguém, apenas eu e os restos daquelas crianças mortas.
Levantei e saí rápido daquele lugar, mas já era tarde, os fantasmas vieram atrás de min.
Fui até o túmulo de meu avô, queria perdir-lhe conselhos, queria poder ouvir a sua voz só mais uma vez. Mas ele não estava lá, apenas o seu nome escrito em letras de metal dourado. Sentei na pedra fria que cobre os seus restos, meu peito doía, o ar estava pesado, senti náuseas. Clamei por seus conselhos, mas não ouvi sua voz paterna.
Então o vento soprou, como um chamado, e quando levantei minha cabeça, a primeira coisa que vi e li, foi uma frase escrita em tinta desbotada numa lápide em frente. “As atitudes que são realizadas com base no verdadeiro amor são eternas”.
Não quis saber de quem era o túmulo, levantei e caminhei sem rumo, e o refrão: “eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar”... Começou a tocar na minha mente. “em cada despedida eu vou"...
Não consegui completar a música, uma cachoeira de lágrimas brotou de meus olhos, e chorei. Chorei por toda uma vida de lágrimas, chorei e solucei. Como chorei!
Segui chorando por toda uma avenida, me apoiando em túmulos e árvores que encontrava no caminho. Apenas eu e mais ninguém.
Estava eu vivo, atuando no palco da vida, para um público de mortos. O melhor público que já encontrei. Atento e silencioso.
Quando as lágrimas secaram não houve aplausos, apenas o vento beijando suave e fresco o meu rosto.
O céu estava mais claro, o vento soprava uma sonata, daquelas que as mães cantam para os filhos pequenos.
Voltei até a estátua de Jesus Cristo onde tudo havia começado, acho que entendi o recado.
Fiz algumas fotos da estátua e sai andando de costas pelo portão, como fez aquele homem de fé. Pedi desculpas por alguma coisa e agradeci.
Segui rua abaixo tranquilamente.
Caminhei até uma praça próxima, sentei-me. Mas sentia que não era o bastante. Caminhei por velhos lugares, os primeiros que freqüentei em minha vida, e fui parar em uma outra praça um pouco mais distante. Lugar antigo, berço da cidade onde nasci.
Fiquei sentado lá por um tempo, e senti que precisava caminhar um pouco mais. Então segui para o norte, rumo ao cemitério. Eu gosto daquele cemitério, é um lugar bastante tranqüilo.
Parei e sentei em um banco que fica ao lado da entrada deste cemitério. Foi quando vi um homem sair andando de costas do portão do cemitério, ele se abaixou e fez alguns sinais bem interessantes, apenas fiquei observando atentamente. Ele se levantou e caminhou rumo a uma velha cruz de madeira que fica do outro lado da rua em frente ao cemitério, fez o mesmo ritual, e depois seguiu rua abaixo tranquilamente. Ele nem sequer notou a minha presença.
Senti-me bem por ter presenciado todo aquele ritual de fé, um verdadeiro homem de fé.
Depois fiquei pensando se ele não seria um fantasma e se fantasmas realmente existem.
Levantei e fui até o portão do cemitério, um portão de metal, velho e enferrujado, mas muito bonito. Olhei para dentro e vi que estava completamente vazio, entrei sem pedir licença.
Logo na entrada tive uma sensação de solidão muito grande, olhei para a direita e vi uma estátua de Jesus Cristo em tamanho natural muito interessante. O Cristo parecia um ator de teatro encenando uma peça romântica, não havia dor em sua face. Fiquei parado observando a estátua, que parecia querer dizer alguma coisa.
Decidi fotografá-la, mas neste exato momento, meu celular tocou, eu sabia quem era. Mesmo sem reconhecer os números eu sabia que era ela me ligando de além-mar. Atendi. Nervoso e emocionado, era ela. Conversamos, a ligação caiu, ela retornou, me contou que a viagem tinha sido tranqüila e que as coisas estavam dando certo. Dizemos que nos amava-mos e nos despedimos. Fiquei muito feliz por ela, mas muito triste por min.
Quando olhei em volta, estava sentado em cima de um túmulo de criança, no meio de várias cruzes com nomes de criança escritos nelas.
O vento soprou estranho, como um uivo solitário, como um choro de criança. Uma cratera se abriu em minha volta, estava eu num deserto seco e morto, não havia ninguém, apenas eu e os restos daquelas crianças mortas.
Levantei e saí rápido daquele lugar, mas já era tarde, os fantasmas vieram atrás de min.
Fui até o túmulo de meu avô, queria perdir-lhe conselhos, queria poder ouvir a sua voz só mais uma vez. Mas ele não estava lá, apenas o seu nome escrito em letras de metal dourado. Sentei na pedra fria que cobre os seus restos, meu peito doía, o ar estava pesado, senti náuseas. Clamei por seus conselhos, mas não ouvi sua voz paterna.
Então o vento soprou, como um chamado, e quando levantei minha cabeça, a primeira coisa que vi e li, foi uma frase escrita em tinta desbotada numa lápide em frente. “As atitudes que são realizadas com base no verdadeiro amor são eternas”.
Não quis saber de quem era o túmulo, levantei e caminhei sem rumo, e o refrão: “eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar”... Começou a tocar na minha mente. “em cada despedida eu vou"...
Não consegui completar a música, uma cachoeira de lágrimas brotou de meus olhos, e chorei. Chorei por toda uma vida de lágrimas, chorei e solucei. Como chorei!
Segui chorando por toda uma avenida, me apoiando em túmulos e árvores que encontrava no caminho. Apenas eu e mais ninguém.
Estava eu vivo, atuando no palco da vida, para um público de mortos. O melhor público que já encontrei. Atento e silencioso.
Quando as lágrimas secaram não houve aplausos, apenas o vento beijando suave e fresco o meu rosto.
O céu estava mais claro, o vento soprava uma sonata, daquelas que as mães cantam para os filhos pequenos.
Voltei até a estátua de Jesus Cristo onde tudo havia começado, acho que entendi o recado.
Fiz algumas fotos da estátua e sai andando de costas pelo portão, como fez aquele homem de fé. Pedi desculpas por alguma coisa e agradeci.
Segui rua abaixo tranquilamente.

Que bonito, meu amor. Como suas palavras me emocionam!
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